O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) registrou uma forte arrancada nas redes sociais após sua participação no debate presencial promovido pela TV Bandeirantes e pelo jornal Estadão. Em apenas dois dias, o escritor e psiquiatra ganhou cerca de dois milhões de novos seguidores no Instagram, enquanto sua equipe de campanha refuta suspeitas de contratação paga de influenciadores ou envolvimento do ex-coach Pablo Marçal.
Dados da plataforma de inteligência Sólon indicam que a conta de Cury no Instagram saltou de 8,4 milhões de seguidores para 10,3 milhões. O engajamento também se refletiu nas menções ao seu nome na internet, que saltaram de uma média anterior de 0,35% para 13,5% do total de conversas sobre os presidenciáveis, segundo monitoramento da consultoria AP Exata. O índice de avaliação positiva do candidato alcançou 52%, a maior taxa entre os concorrentes no período analisado.
Estratégia digital e negação de pagamentos
Diante do volume de cortes e vídeos de apoio que passaram a circular na internet — alguns ultrapassando 10 milhões de visualizações —, o marqueteiro da campanha, Sérgio Lima, assegurou que a movimentação ocorre de forma estritamente espontânea. A legislação eleitoral brasileira proíbe o pagamento a influenciadores digitais para veiculação de propaganda.
De acordo com o estrategista, o único aporte financeiro em plataformas digitais até o momento foi de R$ 50 mil destinados ao impulsionamento de conteúdos próprios no Facebook. Lima afirmou ainda que a equipe tem apenas respondido e interagido com as publicações feitas por apoiadores para manter o engajamento aquecido.
A equipe do Avante também negou qualquer interferência ou atuação direta de Pablo Marçal (PRTB) na gestão digital da candidatura. A hipótese levantada nos bastidores por campanhas adversárias sugeria uma semelhança com as táticas de alavancagem de cortes usadas por Marçal na disputa municipal paulistana em 2024. Embora Marçal já tenha feito elogios públicos a Cury e oferecido apoio moral e conselhos técnicos, o candidato a vice na chapa, Júlio Delgado (Avante-MG), reiterou que não há contratação de agentes ligados ao ex-coach e que as replicações partem de iniciativa voluntária de criadores de conteúdo.
Impacto nas buscas e cenário eleitoral
A repercussão do debate refletiu-se também nos mecanismos de busca. Indicadores do Google Trends mostraram que o interesse médio de pesquisa por Augusto Cury alcançou 26 pontos na última semana, superando nomes como Flávio Bolsonaro (15 pontos) e ficando atrás apenas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (39 pontos).
Análises de especialistas apontam que o tom moderado de Cury, centrado na crítica à polarização entre lulismo e bolsonarismo e no debate de pautas como educação e saúde mental, atraiu eleitores que buscam uma alternativa de centro. No entanto, analistas políticos ponderam que a conversão desse engajamento digital em votos enfrenta barreiras consolidadas. No mais recente levantamento do Datafolha, o psiquiatra aparece com 2% das intenções de voto, em um cenário ainda marcado pela polarização direta entre as principais forças políticas do país.
Com o olhar voltado para as próximas semanas, a equipe do Avante projeta manter a visibilidade digital explorando os desdobramentos de suas próximas agendas de massa, incluindo a participação agendada na sabatina da TV Globo.




