O estado de São Paulo registrou seus primeiros casos humanos de Febre do Nilo Ocidental, confirmados pelo Instituto Adolfo Lutz em moradoras de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. A infecção, provocada por um vírus transmitido principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, mobiliza autoridades de saúde para investigar os locais prováveis de contágio e reforçar medidas de prevenção.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), os diagnósticos envolvem uma mulher de 34 anos, residente em Ribeirão Preto e com histórico recente de viagem à região amazônica, que já evoluiu para a cura, e uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto, que permanece internada sob cuidados médicos. As equipes de vigilância municipal e estadual seguem investigando o histórico de ambas para determinar onde ocorreu a infecção.
Em âmbito nacional, o Ministério da Saúde acompanha a confirmação de quatro casos humanos da doença no país. Além dos dois registros em território paulista, Santa Catarina contabiliza outros dois casos: uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba, que faleceu — com investigação em curso para esclarecer a relação exata entre o vírus e a causa do óbito —, e um homem de 56 anos, de Caçador, que recebeu alta após internação. Há, ainda, uma suspeita em análise no Piauí.
Entenda a doença e a transmissão
Causada pelo Vírus do Nilo Ocidental (VNO), um arbovírus pertencente à mesma família da dengue, zika, chikungunya e febre amarela, a infecção tem como ciclo natural a circulação entre aves silvestres migratórias e mosquitos, sobretudo os pernilongos do gênero Culex. Os seres humanos e animais como cavalos atuam como hospedeiros acidentais.
Especialistas reforçam que não há transmissão comunitária sustentada da doença entre pessoas no Brasil. O contágio cotidiano não ocorre por contato direto, como abraços, tosse ou convivência. Situações de transmissão entre humanos são extremamente raras e restritas a vias como transfusão de sangue, transplante de órgãos ou transmissão vertical de mãe para feto durante a gestação.
Sintomas e formas graves
A maior parte das infecções — cerca de 80% — transcorre de forma assintomática. Entre os 20% dos pacientes que manifestam sintomas, o quadro costuma ser leve, assemelhando-se ao de outras arboviroses e incluindo febre de início abrupto, dor de cabeça, dores musculares, náuseas, vômitos e mal-estar geral.
Menos de 1% dos contaminados desenvolve formas neuroinvasivas graves, a exemplo de encefalite, meningite ou paralisia flácida aguda. O risco de complicações severas e óbito é mais elevado em idosos e pacientes imunossuprimidos, oncológicos ou transplantados.
Cuidados e prevenção
Atualmente, não existe vacina disponível nem tratamento antiviral específico para humanos. A assistência médica nos casos sintomáticos baseia-se em medidas de suporte, como hidratação, repouso e controle de sintomas, podendo exigir internação em unidades de terapia intensiva nos quadros neurológicos.
Diante da ausência de imunização, as autoridades sanitárias recomendam a adoção de medidas individuais e coletivas para evitar a proliferação e a picada de mosquitos. Entre as principais orientações estão o uso regular de repelentes, a instalação de telas em portas e janelas, o uso de roupas compridas em horários de maior atividade dos insetos — especialmente do entardecer ao amanhecer —, a eliminação de recipientes com água parada e evitar o manuseio de animais silvestres encontrados mortos.




