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EUA classificam PCC e CV como terroristas: o que muda para as facções e para o Brasil

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations – FTOs). A medida, adotada pela gestão do presidente Donald Trump, representa um dos movimentos mais duros já realizados por Washington contra facções criminosas brasileiras e pode ter reflexos internacionais significativos.

A decisão foi divulgada pelo Departamento de Estado dos EUA e integra uma estratégia de ampliação do combate ao crime organizado transnacional, especialmente grupos ligados ao narcotráfico, lavagem de dinheiro, tráfico internacional de armas e movimentação financeira global.

Tradução na íntegra do comunicado do Departamento de Estado dos EUA

Designação Terrorista do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital

Comunicado à Imprensa
Marco Rubio, Secretário de Estado
28 de maio de 2026

“Hoje, o Departamento de Estado dos Estados Unidos está designando o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e pretende designar ambos os grupos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), com vigência a partir de 5 de junho de 2026.

O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de integrantes e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, agentes públicos e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e chegando aos Estados Unidos.

A administração Trump continuará utilizando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo drogas ilícitas longe de nossas ruas e interrompendo os fluxos financeiros que sustentam narcoterroristas violentos. A ação adotada hoje pelo Departamento de Estado demonstra, mais uma vez, o compromisso inabalável da administração Trump em desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano.

As ações de hoje são realizadas de acordo com a Seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade e com a Ordem Executiva 13224. As designações como Organizações Terroristas Estrangeiras entram em vigor após a publicação no Registro Federal.”

O que significa ser uma organização terrorista nos EUA?

A classificação de uma organização como terrorista permite ao governo norte-americano utilizar mecanismos mais amplos de investigação, monitoramento e punição.

Na prática, isso significa:

  • Bloqueio de bens e ativos vinculados às facções;
  • Congelamento de contas bancárias ligadas a integrantes ou colaboradores;
  • Proibição de qualquer apoio financeiro ou material aos grupos;
  • Ampliação da cooperação internacional para prisões e investigações;
  • Aplicação de sanções contra empresas e pessoas que mantenham relações com os grupos;
  • Monitoramento de movimentações financeiras internacionais.

A medida também abre caminho para ações mais agressivas de inteligência e repressão por parte das agências americanas.

O que pode acontecer com integrantes do PCC e do CV?

Especialistas avaliam que integrantes das facções poderão enfrentar dificuldades ainda maiores para movimentar dinheiro fora do Brasil.

Investigações internacionais poderão ganhar força, especialmente em países onde o PCC e o Comando Vermelho já são apontados como atuantes, como:

  • Paraguai;
  • Bolívia;
  • Colômbia;
  • Peru;
  • Venezuela;
  • Portugal;
  • Espanha;
  • Bélgica.

A medida também pode atingir operadores financeiros, empresários e intermediários suspeitos de colaborar com as organizações.

Os EUA podem atuar dentro do Brasil?

Não.

A classificação não autoriza automaticamente operações militares ou policiais americanas em território brasileiro.

Qualquer ação direta dependeria de autorização do governo brasileiro e dos mecanismos de cooperação internacional já existentes.

Apesar disso, a decisão fortalece o compartilhamento de informações entre agências dos EUA e autoridades brasileiras.

Por que a decisão preocupa Brasília?

Nos últimos meses, integrantes do governo Lula demonstraram preocupação com a possibilidade de PCC e Comando Vermelho serem enquadrados como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Nos bastidores, existe receio de que a medida aumente a influência americana em investigações relacionadas ao crime organizado na América Latina.

O tema já vinha sendo debatido entre autoridades brasileiras e norte-americanas há vários meses.

Pedido foi pauta de Flávio Bolsonaro na Casa Branca

A classificação das facções ocorreu poucos dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro à Casa Branca.

Segundo aliados do parlamentar, uma das pautas apresentadas durante o encontro com Donald Trump foi justamente a necessidade de os Estados Unidos tratarem PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

Após o anúncio, Flávio publicou nas redes sociais a frase:

“Grande dia.”

A manifestação foi interpretada por apoiadores como uma comemoração pela decisão do governo americano.

PCC e CV são as maiores facções do Brasil

O PCC surgiu em São Paulo na década de 1990 e se transformou na maior organização criminosa do país.

Já o Comando Vermelho nasceu no Rio de Janeiro e mantém forte presença em comunidades controladas pelo tráfico.

Ambas as facções são investigadas por:

  • Tráfico internacional de drogas;
  • Tráfico de armas;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Extorsão;
  • Homicídios;
  • Corrupção de agentes públicos.

As duas organizações também mantêm ramificações fora do Brasil, o que foi um dos fatores considerados pelas autoridades americanas.

O que acontece agora?

A expectativa é que a classificação entre oficialmente em vigor nos próximos dias após os trâmites legais previstos pela legislação norte-americana.

A partir daí, bancos, empresas e governos aliados dos Estados Unidos passarão a observar restrições específicas relacionadas ao PCC e ao Comando Vermelho.

Especialistas avaliam que a medida pode dificultar a expansão internacional das facções, embora não tenha impacto imediato sobre sua atuação dentro do território brasileiro.

Fontes: Departamento de Estado dos EUA, Associated Press (AP), Metrópoles, legislação americana sobre Foreign Terrorist Organizations (FTOs).

Michel Belli (Editor-Chefe)
Michel Belli (Editor-Chefe)https://odiariodacidade.com.br
Michel Belli é jornalista, servidor público graduado em Gestão Pública e veterano em Ciência Política. Une experiência sólida em administração pública e comunicação estratégica à atuação jornalística independente, com foco na construção de informação responsável, acessível e alinhada ao interesse coletivo. Criador e diretor do portal O Diário da Cidade, desenvolve projetos voltados à inovação digital, impacto social e fortalecimento comunitário por meio da comunicação transparente e profissional.

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