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O que se sabe sobre a investigação que prendeu Deolane Bezerra

A advogada e influenciadora Deolane Bezerra, de 38 anos, foi presa nesta quinta-feira (21), durante a Operação Vérnix, deflagrada por uma força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo.

A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao PCC, com uso de empresas de fachada, movimentações financeiras suspeitas e ligações entre integrantes da facção criminosa, operadores financeiros e pessoas próximas ao núcleo investigado.

Além de Deolane, a operação também teve como alvos Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC, e seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior. Os dois já estavam presos, mas receberam novos mandados no âmbito da investigação.

Quais são as principais acusações criminais contra Deolane Bezerra?

A influenciadora Deolane Bezerra foi indiciada pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, ela teria participação em um esquema milionário ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital), atuando na movimentação e ocultação de recursos financeiros atribuídos à facção criminosa.

Como e onde ocorreu a prisão da influenciadora?

Deolane foi presa em sua residência localizada em Barueri, na Grande São Paulo, durante a manhã desta quinta-feira (21). A operação ocorreu poucas horas após o retorno da influenciadora da Europa, onde ela estava antes de voltar ao Brasil para compromissos relacionados à renovação de passaporte junto à Polícia Federal.

Deolane correu o risco de ser presa no exterior?

Sim. Conforme as investigações, o nome da influenciadora chegou a ser incluído na Difusão Vermelha da Interpol enquanto ela estava em Roma, na Itália. A medida poderia resultar em uma prisão internacional, porém Deolane retornou ao Brasil antes do cumprimento da ordem.

Qual foi o ponto de partida para o início da investigação?

A investigação teve início após agentes encontrarem diversos bilhetes escondidos dentro de uma penitenciária paulista. Os manuscritos estavam ocultos em uma caixa de esgoto de celas ocupadas por integrantes do PCC e continham anotações relacionadas a movimentações financeiras, pagamentos e possíveis operadores do esquema investigado.

Segundo a Polícia Civil, os documentos também revelavam possíveis planos de atentados contra agentes públicos e ajudaram os investigadores a aprofundar as conexões entre integrantes da facção criminosa e pessoas ligadas à estrutura financeira investigada.

O que os bilhetes do presídio revelaram sobre Deolane?

De acordo com os investigadores, os bilhetes indicavam que Deolane teria ligação com movimentações financeiras atribuídas à facção criminosa. As mensagens mencionavam pagamentos milionários ligados à transportadora Lado a Lado, apontada pela polícia como peça importante no esquema de lavagem de dinheiro.

Os registros também citavam expressões como “acerto” e “fechamento”, termos que passaram a ser analisados pelos investigadores como possíveis referências a repasses financeiros ligados ao grupo criminoso.

O que é o conceito de “pejotização do crime” mencionado pelos investigadores?

O termo foi utilizado pelo Ministério Público para definir uma estratégia onde organizações criminosas utilizariam empresas de fachada para inserir dinheiro ilícito na economia formal. Segundo a investigação, essas empresas existiriam apenas no papel, sem estrutura operacional compatível com os valores movimentados.

Como funcionava a rede de empresas de fachada ligadas à influenciadora?

A investigação aponta que dezenas de empresas ligadas ao esquema estavam registradas em um mesmo endereço na cidade de Martinópolis, interior de São Paulo. Conforme os investigadores, os negócios não apresentavam atividade operacional efetiva e compartilhavam o mesmo contador, levantando suspeitas sobre a utilização das empresas para ocultação de patrimônio e circulação de recursos ilícitos.

Qual era a origem do dinheiro que Deolane supostamente lavava?

Segundo a investigação, os valores movimentados no esquema seriam provenientes da empresa Lado a Lado Transportes Ltda, localizada em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. A transportadora fica próxima ao complexo penitenciário da região e é apontada pela polícia como uma empresa ligada à estrutura financeira do PCC.

Os investigadores afirmam que a transportadora seria utilizada para movimentar recursos atribuídos à facção criminosa, funcionando como peça central do suposto esquema de lavagem de dinheiro. A suspeita é de que os valores eram posteriormente distribuídos por meio de empresas de fachada e contas vinculadas aos investigados.

De que forma o suposto esquema operava?

Qual o valor total de ativos bloqueados pela Justiça na operação?

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 327 milhões em bens, imóveis e ativos financeiros ligados aos investigados na Operação Vérnix. A medida foi autorizada pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis e envolve contas bancárias, empresas, veículos e patrimônios atribuídos aos alvos da investigação.

Quanto foi confiscado especificamente das contas e empresas de Deolane Bezerra?

Segundo a decisão judicial, mais de R$ 27 milhões foram bloqueados das contas pessoais e empresas ligadas à influenciadora. Entre as companhias citadas na investigação estão empresas de publicidade, produções artísticas e holdings registradas em nome de Deolane Bezerra.

Quem são os outros líderes criminosos que foram alvos de mandados de prisão?

Além de Deolane, a operação também atingiu integrantes apontados como parte da cúpula do PCC. Entre os nomes citados estão Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado pelas autoridades como líder máximo da facção, e seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior. Apesar de já estarem presos, ambos receberam novos mandados judiciais relacionados à investigação.

O que a defesa de Marcola falou sobre as acusações feitas pela PF contra o seu cliente?

A defesa de Marcola afirmou que considera improvável que o acusado consiga comandar atividades criminosas de dentro do sistema penitenciário federal. O advogado Bruno Ferullo declarou que as comunicações do preso são monitoradas constantemente por órgãos de inteligência e segurança.

Por que o padrão de vida de Deolane foi considerado uma prova no processo?

Segundo a investigação, o padrão de vida ostentado publicamente pela influenciadora passou a ser analisado como um dos elementos do processo. Viagens internacionais, aeronaves e veículos de luxo teriam chamado atenção das autoridades por apresentarem incompatibilidade com os rendimentos declarados oficialmente.

Entre os veículos citados nas apurações estão modelos de alto padrão como Lamborghini Huracán, McLaren, Range Rover, Cadillac Escalade e Mercedes-Benz AMG G63, avaliados em milhões de reais.

O que os relatórios do Coaf revelaram sobre as finanças da influenciadora?

Relatórios de Inteligência Financeira apontaram movimentações consideradas atípicas e incompatíveis com os ganhos declarados pelas empresas e pessoas físicas investigadas. Segundo os investigadores, os documentos identificaram transferências elevadas, depósitos fracionados e circulação financeira considerada suspeita dentro do esquema apurado pela operação.

Quem é Everton de Souza, o “Player”, e qual sua ligação com o caso?

Everton de Souza, conhecido como “Player”, é apontado pela investigação como um dos operadores financeiros do esquema investigado pela Operação Vérnix. Segundo a polícia, ele atuaria como intermediário entre integrantes da cúpula do PCC e empresas utilizadas para movimentações financeiras suspeitas.

Os investigadores afirmam que Everton mantinha relação próxima com Deolane Bezerra e utilizava o mesmo contador ligado às empresas apontadas como de fachada. Conforme a apuração, ele seria responsável por direcionar depósitos, indicar contas bancárias e coordenar transferências financeiras realizadas de maneira fracionada, estratégia que dificultaria o rastreamento da origem do dinheiro.

A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 9 milhões ligados ao investigado.

Por que Deolane foi presa em 2024?

Antes da Operação Vérnix, Deolane Bezerra já havia sido alvo de outra investigação policial. Em setembro de 2024, ela foi presa durante a Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco em conjunto com o Ministério Público.

Na ocasião, a investigação apurava um suposto esquema de lavagem de dinheiro associado à exploração de jogos ilegais. Segundo o inquérito, empresas de eventos, publicidade, seguros e casas de câmbio seriam utilizadas para movimentar recursos financeiros considerados suspeitos.

Deolane foi detida junto com a mãe, Solange Alves, em Boa Viagem, na zona sul do Recife. As duas permaneceram presas por cerca de 20 dias e foram liberadas após a revogação das prisões preventivas.

Michel Belli (Editor-Chefe)
Michel Belli (Editor-Chefe)https://odiariodacidade.com.br
Michel Belli é jornalista, servidor público graduado em Gestão Pública e veterano em Ciência Política. Une experiência sólida em administração pública e comunicação estratégica à atuação jornalística independente, com foco na construção de informação responsável, acessível e alinhada ao interesse coletivo. Criador e diretor do portal O Diário da Cidade, desenvolve projetos voltados à inovação digital, impacto social e fortalecimento comunitário por meio da comunicação transparente e profissional.

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