O uso de minas navais no Estreito de Ormuz voltou ao centro das atenções internacionais após a agência Reuters informar que ao menos 12 explosivos teriam sido posicionados na rota marítima pelo Irã. A medida elevou as tensões no Oriente Médio e provocou reações do governo dos Estados Unidos, que ameaçou novas ações militares caso os dispositivos não sejam removidos.
A região é considerada uma das mais estratégicas do planeta para o comércio de energia. Pelo estreito passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo, ligando o Golfo Pérsico ao oceano Índico. A rota fica entre o território iraniano e países da Península Arábica.
Desde o agravamento do conflito no Oriente Médio, iniciado em 28 de fevereiro, o Irã afirmou que poderia fechar a passagem e atacar embarcações que tentassem atravessar a região. A ameaça já provocou queda no tráfego marítimo e forte preocupação entre governos e empresas do setor energético.

O que são minas navais
Minas navais são explosivos instalados no mar para atingir embarcações. Elas podem ficar submersas, ancoradas ao fundo ou até à deriva, aguardando a passagem de navios.
Os modelos mais simples detonam quando entram em contato direto com o casco da embarcação. Já versões mais avançadas utilizam sensores capazes de detectar mudanças no ambiente causadas pelo deslocamento do navio.
Esses sensores podem identificar:
- alterações no campo magnético da embarcação
- mudanças na pressão da água
- ruído dos motores
- vibrações na água
Quando essas alterações são detectadas, a mina pode detonar automaticamente.
Poder naval do Irã
Estimativas de especialistas indicam que o Irã pode possuir entre 2 mil e 6 mil minas navais em seu arsenal. Segundo análises do Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas, o país mantém uma variedade de minas de origem soviética, ocidental e também modelos desenvolvidos localmente.
Entre os equipamentos mais avançados estaria a mina EM-52, de origem chinesa. Esse tipo de armamento permanece no fundo do mar e, ao detectar a passagem de uma embarcação, lança um projétil explosivo em direção ao alvo.
Apesar disso, analistas apontam que o Irã teria capacidade limitada para instalar esse modelo em grande escala, já que o país possui apenas alguns submarinos capazes de lançar esse tipo de dispositivo. Por esse motivo, embarcações menores poderiam ser utilizadas para posicionar minas mais simples na região.
Especialistas também indicam que uma única mina dificilmente afundaria um grande petroleiro. Ainda assim, os danos causados podem ser suficientes para interromper operações e bloquear rotas marítimas.
Regras internacionais
O uso de minas marítimas é regulado pela Convenção de Haia de 1907, que estabelece limites para a instalação desses dispositivos.
Entre as regras está a proibição de posicionar minas de contato próximas a portos ou à costa de países inimigos com o objetivo de bloquear o tráfego comercial.
Mesmo com essas restrições, o Estreito de Ormuz já foi alvo desse tipo de armamento no passado. Durante a guerra entre Irã e Iraque na década de 1980, explosivos foram espalhados na região.
Escalada de tensão
Diante das informações sobre a possível instalação de minas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã deve remover imediatamente qualquer explosivo colocado na rota marítima.
Segundo ele, caso isso não ocorra, o país poderá enfrentar “consequências militares de magnitude sem precedentes”.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que forças americanas atacaram embarcações iranianas que estariam sendo utilizadas para transportar minas navais. De acordo com o comando militar, 16 barcos teriam sido destruídos durante a operação.
O aumento da tensão na região também impactou o mercado internacional. Analistas apontam que o preço do petróleo disparou após os acontecimentos, e autoridades iranianas afirmaram que o valor do barril poderia chegar a US$ 200 caso o conflito se intensifique.
Fonte: Reuters, Strauss Center for International Security and Law, Universidade do Texas e agências internacionais.
O Diário da Cidade permanece aberto para eventuais manifestações ou esclarecimentos das autoridades citadas nesta reportagem.




