Três décadas após ganhar repercussão mundial, o caso do ET de Varginha voltou ao centro do debate público com a divulgação de documentos oficiais das Forças Armadas. Um Inquérito Policial Militar (IPM), com mais de 600 páginas e disponível no site do Superior Tribunal Militar, concluiu que o episódio ocorrido em 1996, no sul de Varginha, foi resultado de um equívoco amplificado por boatos, e não de um encontro com um ser extraterrestre.
Segundo o relatório, o caso teve início em janeiro de 1996, durante um dia de chuva intensa, quando três jovens relataram ter visto uma criatura estranha, agachada próximo a um muro. A descrição — postura curvada, aparência incomum e comportamento incompreendido — rapidamente alimentou a narrativa de que se tratava de um ser de outro planeta.

O que diz o inquérito
A investigação militar concluiu que a figura descrita pelas jovens era, na verdade, um homem com transtornos mentais, conhecido na cidade por circular frequentemente de cócoras. O IPM reúne fotografias anexadas aos autos que mostram o homem em diferentes pontos do município, reforçando a tese de confusão visual agravada pelas condições climáticas e pelo contexto da época.
O inquérito foi instaurado em março de 1997 para apurar rumores sobre uma possível participação do Exército na captura e transporte do suposto ser. Ao longo da apuração, nenhuma evidência foi encontrada que comprovasse qualquer ação militar ligada a extraterrestres.
Disseminação do mito
Os documentos também registram depoimentos de ufólogos responsáveis por publicações que ajudaram a popularizar o episódio no Brasil e no exterior. De acordo com o relatório, a ampla divulgação dessas versões contribuiu para a consolidação do mito ao longo dos anos, mesmo sem provas concretas.
Caso segue no imaginário popular
Apesar da conclusão oficial, o ET de Varginha permanece como um dos episódios mais emblemáticos da ufologia brasileira, ainda presente no imaginário coletivo.
O tema voltou a ganhar destaque recentemente com a série documental “O Mistério de Varginha”, exibida pela TV Globo e coproduzida pela EPTV. A produção, dividida em três episódios, revisita o caso, reúne depoimentos e apresenta documentos oficiais, incluindo o inquérito militar, e também está disponível no Globoplay.
Mesmo com o encerramento oficial do mistério, o caso segue como um marco cultural e histórico da década de 1990 no Brasil.



