sábado, março 7, 2026
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Relembre o crime de Lindomar Castilho, que matou a ex-esposa a tiros no palco

A morte do cantor Lindomar Castilho, neste sábado (20), trouxe novamente à tona um dos crimes mais brutais da história da música brasileira. Em 1981, no auge da carreira, o artista assassinou a ex-esposa, a cantora Eliane de Grammont, a tiros, enquanto ela se apresentava no palco de um café em São Paulo.

Lindomar e Eliane foram casados entre 1979 e 1981. Eles se conheceram nos corredores da gravadora RCA e tiveram uma filha, Liliane De Grammont, responsável por anunciar a morte do pai. O relacionamento foi marcado por ciúmes, possessividade e episódios de violência, agravados pelo alcoolismo do cantor. Eliane chegou a pedir o desquite após sofrer agressões físicas.

O crime no palco

Mesmo separados, o episódio que marcou definitivamente a história ocorreu na noite de 30 de março de 1981. Lindomar invadiu o bar Belle Époque, onde Eliane se apresentava, e disparou cinco tiros contra a cantora ainda no palco. Ela interpretava João e Maria, de Chico Buarque, e foi atingida exatamente no verso “agora era fatal que o faz de conta terminasse assim”.

A motivação do crime, segundo a investigação, foi o ciúme que Lindomar sentia do violonista Carlos Randall, primo do cantor, que acompanhava Eliane naquela noite. A cantora morreu a caminho do hospital, aos 26 anos. Lindomar tentou fugir, mas foi contido por pessoas que estavam no local.

Carlos Randall também foi atingido por um disparo, mas sobreviveu. Em entrevista concedida em 2022 ao podcast do jornalista Piunti, ele afirmou não se sentir capaz de perdoar o agressor e relatou o impacto emocional do episódio. “Você precisa de um tempo para se recompor. A ficha demora para cair, começa a pensar no que poderia ter sido diferente”, disse.

Prisão e condenação

Lindomar Castilho foi preso em flagrante e condenado por homicídio em 1984. Ele cumpriu pena em regime fechado até 1986, passou ao semiaberto e deixou o sistema prisional em 1996.

Ao anunciar a morte do pai, Liliane De Grammont relembrou o trauma que marcou sua vida desde a infância. “Ele é só mais um ser humano que se desviou com sua vaidade e narcisismo. Ao tirar a vida da minha mãe, também morreu em vida. Morre o pai e nasce um assassino, morre uma família inteira”, escreveu.

Ela também refletiu sobre o tema do perdão e afirmou que a questão não se resume a uma resposta simples. “Essa resposta não é um sim ou não. Ela envolve todas as camadas das dores e delícias de ser um ser complexo. Desejo que a alma dele se cure e que essa masculinidade tóxica tenha sido transformada”, concluiu.

O crime permanece como símbolo da violência contra a mulher no Brasil e segue sendo lembrado como um marco na discussão sobre machismo, poder e responsabilização, mesmo décadas depois.

Michel Belli (Editor-Chefe)
Michel Belli (Editor-Chefe)https://odiariodacidade.com.br
Michel Belli é jornalista, servidor público graduado em Gestão Pública e veterano em Ciência Política. Une experiência sólida em administração pública e comunicação estratégica à atuação jornalística independente, com foco na construção de informação responsável, acessível e alinhada ao interesse coletivo. Criador e diretor do portal O Diário da Cidade, desenvolve projetos voltados à inovação digital, impacto social e fortalecimento comunitário por meio da comunicação transparente e profissional.

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