A Polícia Civil do Amazonas solicitou à Justiça a prisão preventiva da médica e da técnica de enfermagem envolvidas no atendimento ao menino Benício Xavier, de 6 anos, que morreu no dia 22 de novembro após receber dose incorreta de adrenalina em um hospital particular de Manaus (AM).
O pedido foi feito após as apurações indicarem que a médica responsável, Juliana Brasil Santos, utilizava carimbo e assinatura com indicação de especialidade em pediatria, mesmo não possuindo título oficial reconhecido pelo sistema médico. A conduta pode configurar falsidade ideológica e uso de documento falso, em desacordo com as normas do Conselho Federal de Medicina.
Segundo a investigação, Benício foi internado com tosse seca e suspeita de laringite. A criança teria recebido prescrição de lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa de 3 ml a cada 30 minutos, procedimento inadequado para o quadro clínico, aplicado pela técnica de enfermagem.
Provas e condução do caso
A apuração revela que a médica chegou a assumir o erro em documento enviado à polícia e em mensagens trocadas com outro profissional de saúde. A defesa dela afirma que a confissão teria ocorrido “no calor do momento” e foi causada por falhas no sistema do hospital.
A técnica de enfermagem também está sob investigação por ter seguido a prescrição sem questionar a via e a dose do medicamento. Com base nas provas reunidas, a polícia avalia que pode ter ocorrido assunção de risco, o que pode configurar homicídio doloso por dolo eventual.
Além disso, o inquérito examina possíveis falhas estruturais no hospital e também apura o procedimento de intubação realizado na criança.
O caso segue em investigação, com a Polícia Civil aguardando a análise da Justiça sobre o pedido de prisão preventiva das duas profissionais.




