Uma imagem registrada por exploradores do Google Earth em uma região desértica do Novo México, nos Estados Unidos, viralizou nas redes sociais e passou a alimentar teorias sobre uma suposta “praga bíblica”. A coloração intensamente avermelhada do solo levou internautas a afirmarem que um “lago de sangue” teria surgido no local.
A área fica ao norte do estado, a noroeste da cidade de Santa Fé. Após a imagem circular na internet, usuários passaram a relacionar o fenômeno a passagens bíblicas, especialmente o episódio das dez pragas do Egito, descrito no Livro do Êxodo, em que as águas do rio Nilo teriam sido transformadas em sangue.
“Cada vez mais preocupado com essa enorme poça de sangue no deserto”, escreveu um usuário da rede social X em uma publicação que ultrapassou 2 milhões de visualizações. Outros comentários seguiram o mesmo tom alarmista, levantando questionamentos sobre o fim dos tempos e sinais sobrenaturais.
Referências religiosas impulsionaram teorias
As especulações se baseiam no trecho bíblico que descreve a transformação das águas como sinal de julgamento divino. No entanto, apesar da força simbólica da narrativa religiosa, não há qualquer evidência científica ou histórica que sustente a interpretação sobrenatural do caso.
Explicação natural e científica
Especialistas afirmam que o fenômeno tem origem totalmente natural. A coloração vermelha observada na imagem é causada pela oxidação da chamada escória vermelha, um material rico em ferro associado à atividade vulcânica antiga da região.
Além disso, a tonalidade pode ser intensificada porque esse material é frequentemente extraído e utilizado em obras de infraestrutura, como construção de estradas, paisagismo e até processos de tratamento de água. Em períodos de chuva ou movimentação do solo, o material pode se espalhar, criando manchas de forte impacto visual.
Sem risco ambiental
De acordo com especialistas, o fenômeno não representa risco ambiental nem ameaça à saúde pública. Trata-se de um processo geológico conhecido, comum em regiões áridas com histórico vulcânico.
Apesar do visual impressionante e das interpretações simbólicas compartilhadas nas redes sociais, não existe um “lago de sangue” literal no deserto do Novo México. O caso é mais um exemplo de como imagens isoladas, fora de contexto científico, podem gerar desinformação quando viralizam na internet.




