As autoridades de Hong Kong atuam em ritmo acelerado para encerrar as buscas por vítimas do incêndio mais letal registrado na cidade em quase 80 anos. O desastre, que ocorreu na última quinta-feira (27/11), destruiu parte do conjunto habitacional Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, e deixou pelo menos 94 mortos e dezenas de desaparecidos.
Na manhã de sexta-feira (28, horário local), os bombeiros haviam controlado as chamas, mas as equipes de resgate ainda enfrentavam dificuldades devido ao colapso de andaimes e à densa fumaça. O complexo, com oito torres e cerca de 4.600 moradores, passava por reformas no momento da tragédia.
Prisões e suspeita de negligência
Três funcionários da empresa Prestige Construction, responsável pela obra, foram presos sob suspeita de homicídio culposo. Segundo a polícia, materiais inflamáveis, como placas de espuma bloqueando janelas, contribuíram para a propagação do fogo.
“Temos motivos para acreditar que os responsáveis pela empresa agiram com extrema negligência”, afirmou a superintendente de polícia Eileen Chung. A corporação apreendeu documentos, computadores e celulares no escritório da construtora, enquanto o governo local discute a substituição dos tradicionais andaimes de bambu por estruturas metálicas.
Resgate e sofrimento das vítimas
Segundo o vice-diretor do Corpo de Bombeiros, Derek Chan, as equipes vão forçar a entrada em todos os apartamentos dos sete prédios afetados para garantir que não haja vítimas não localizadas. Até a madrugada de quinta-feira, 279 pessoas ainda estavam desaparecidas, com pelo menos 25 ligações de emergência pendentes de resposta.
A maioria das vítimas foi encontrada em duas torres, mas sobreviventes foram resgatados em outros prédios do complexo. Moradores relataram cenas de desespero, com pessoas presas em andares superiores, tentando escapar do calor e da fumaça.
Abrigo improvisado e ajuda comunitária
Na segunda noite após o incêndio, dezenas de moradores desalojados improvisaram abrigos em um shopping próximo. Famílias inteiras, incluindo idosos e crianças, montaram barracas na rua e receberam alimentos e produtos de higiene pessoal de voluntários.
Esse é o pior incêndio em Hong Kong desde 1948, quando um armazém pegou fogo, deixando 176 mortos. O caso atual reacende o debate sobre normas de segurança em obras e reformas residenciais na região administrativa especial da China.




