Um depoimento recente do ex-integrante do PCC e ex-policial da Tropa de Choque, Ângelo Canuto, reacende o temor em torno da trajetória aterradora de Pedrinho Matador. Durante entrevista cedida ao podcast “Inteligência”, Canuto detalhou como era conviver com o serial killer dentro do sistema prisional — e descreveu o homem como “um monstro”.
Segundo o ex-PCC, a convivência começou em 1997, quando ele próprio foi preso por extorsão mediante sequestro, e Pedrinho cumpria sua pena. Apesar de pertencer a um presídio comum superlotado, com cerca de quatro mil detentos, o criminoso já ostentava fama e intimidade com a violência. “Na cabeça dele, ele era um monstro — e, de fato, ele era um monstro”, disse Canuto.
Infância violenta e começo precoce no crime
De acordo com o relato de Canuto, a periculosidade de Pedrinho não surgiu por acaso. Ele teria começado a cometer violência ainda na infância e, já preso, demonstrava naturalidade com o homicídio. Canuto afirma que o serial killer assassinou o próprio pai e adquiriu reputação dentro do presídio, reforçando uma lógica de brutalidade e vingança.
Em momentos de convívio — como ao fazer flexões ao lado de Pedrinho — o ex-PCC recorda o comportamento perturbador do assassino: enquanto mexia fotos da filha de Canuto, tratava-as com indiferença e expressava frieza, reacendendo o horror sobre a vida do detento.
Perfil criminoso e vida de violência
Conhecido como o maior assassino em série do Brasil, Pedrinho acumulava pelo menos 71 homicídios confirmados — muitos durante o cumprimento de pena. Ele mesmo afirmava que o número de vítimas superava 100.
Preso pela primeira vez em 1973, aos 18 anos, ele permaneceu encarcerado por décadas. Somente em 2018 deixou a prisão de forma definitiva, após revisões legais que limitaram o tempo máximo de cumprimento de pena no Brasil.
Assassinato fora da prisão e investigações
Em 5 de março de 2023, aos 68 anos, Pedrinho Matador foi encontrado morto em Mogi das Cruzes (SP), após ser atingido por disparos e sofrer degola — crimes atribuídos a “justiceiros” ainda não identificados. As investigações apontam para possível participação de membros do PCC, embora o caso ainda não tenha sido totalmente elucidade.
A polícia decretou prisão preventiva de um dos suspeitos, mas as identidades e motivações completas seguem sob sigilo.
Justiça e memória de vítimas
As revelações de Ângelo Canuto — se confirmadas — reforçam que o perfil de Pedrinho ultrapassava o de um preso comum. A frieza, os relatos de vingança e a reincidência criminosa chamam atenção para as falhas estruturais do sistema prisional e a complexidade do fenômeno da violência serial no Brasil.
O caso serve como alerta: por trás de estatísticas e condenações, há vidas destruídas — vítimas e sobreviventes — que pedem memória e justiça.




