Um vídeo gravado pela corretora Daiane Alves Sousa mostra seus últimos momentos antes de ser morta pelo síndico do prédio onde morava, em Caldas Novas, no sul de Goiás. As imagens foram divulgadas por uma amiga da vítima, Georgiana dos Passos, e passaram a integrar o conjunto de provas analisadas pela Polícia Civil.
No registro, Daiane aparece circulando pelas áreas comuns do condomínio. Ela mostra que seu apartamento estava sem energia elétrica, enquanto os demais imóveis permaneciam com luz. Em seguida, entra no elevador, cruza com um morador e desce até a recepção do prédio.
De acordo com a investigação, apenas moradores tinham acesso ao subsolo, local para onde Daiane se dirigiu com a intenção de restabelecer a energia do próprio apartamento. Após esse momento, ela não voltou a ser vista.
Reflexos e últimos registros
As imagens mostram o reflexo de Daiane na parede metálica do elevador e também em um notebook sobre o balcão da recepção. Pouco depois desses registros, não há mais imagens da corretora circulando pelo prédio.
O síndico Cleber Rosa Oliveira confessou o crime e indicou à polícia o local onde abandonou o corpo da vítima, às margens da rodovia GO-213, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, no trecho que liga a cidade a Ipameri e Pires do Rio.
Novas perícias no condomínio
Na última semana, a Polícia Civil realizou novas perícias no prédio onde Daiane morava e onde a família dela possui seis apartamentos. Segundo o delegado André Barbosa, os trabalhos incluíram simulações para esclarecer a dinâmica do crime, inclusive com testes relacionados a possíveis disparos de arma de fogo.
Até o momento, a perícia não foi concluída, e a polícia afirma que ainda não há confirmação oficial sobre a forma exata da morte da corretora.
Síndico e filho presos
Conforme a investigação, Cleber afirmou ter cometido o crime sozinho, após uma discussão com Daiane no dia 17 de dezembro, data do desaparecimento. O filho dele, Maicon Douglas de Oliveira, também foi preso e é investigado por suspeita de ajudar na ocultação de provas.
Em nota, a defesa de ambos afirmou que o síndico tem colaborado com as autoridades e negou a participação do filho no homicídio.
Histórico de conflitos e denúncia anterior
Daiane desapareceu após descer ao subsolo para religar o padrão de energia do próprio apartamento. Antes disso, ela gravou vídeos explicando a situação e os enviou a uma amiga, dizendo que resolveria o problema.
A mãe da corretora, Nilze Alves, estranhou a ausência da filha no dia seguinte, quando haviam combinado de tratar de locações para o período de Natal e Réveillon, e registrou o desaparecimento.
Segundo a família, havia conflitos recorrentes entre Daiane e o síndico. Desde fevereiro de 2025, foram registrados 12 processos judiciais envolvendo as partes. O Ministério Público de Goiás informou que Cleber monitorava a movimentação da corretora e de hóspedes pelas câmeras do prédio.
Em 19 de janeiro, 39 dias após o desaparecimento, o MP-GO denunciou o síndico pelo crime de perseguição (stalking). A investigação sobre o homicídio segue em andamento.




